Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado à publicação de textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação do Campo de Senhor do Bonfim e região, com ênfase aos estudos e conhecimentos pedagógicos locais. O blog é coordenado pelo Prof. José Carlos R.Feitosa (reisfeitosa@hotmail.com), a partir do exercício de sua função como educador e estudioso do fazer pedagógico. Sejam bem vindos!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Educação fotografada em preto e branco!



A Educação fotografada em preto e branco!

José Carlos Reis Feitosa- Me. em Educação


Tem momentos que nos pegamos a pensar que estamos em outro plano espiritual. Será que desencarnamos e ainda não entendemos o que ocorre? E porque que está tudo tão preto e branco, sem cor, sem vida?
Olhamos a paisagem e nos sentimos congelados no tempo, mas só nos sentimos assim porque já vimos estas mesmas paisagens tão coloridas, tão vivas, tão vitoriosas. Parece-nos que fizemos uma viagem no tempo e que estamos agora presos nesse tempo antigo, de memórias desgastadas, amareladas, ruídas, rasgadas... Falta-nos esperança, sonhos, forças para colorir tudo e assim voltar ao plano de onde viemos... Onde tudo se fazia luta, coragem e vitórias, mesmo em meio às dificuldades para o alcance de tal sucesso.
Então foi nesse tempo de vitórias que vimos na querida Campo Formoso colegas professores exercerem suas profissões alegres, alunos cheios de ideais, gestores democráticos e comprometidos e uma sociedade muito otimista.
Vimos professores ganhando prêmio nacional de educação e isso foi orgulho para que em palestras pudéssemos enaltecer ainda mais os rumos da educação campoformosense. Aqui outrora foi terra que formou grandes cidadãos e que hoje ocupam os mais diversos cargos nesta sociedade baiana, e quem os ajudou? Nós professores!
Trazemos em memória o saudoso Professor Rômulo Galvão, que lapidado por seus primeiros professores em Poços chegou a ocupar o cargo de Secretário de Educação do Governo Estadual, Secretário da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, Delegado Federal do Ministério da Educação para o Estado da Bahia e Presidente do Conselho Estadual de Educação. Isso nos engrandece enquanto professores que somos, pois temos consciência de onde pode chegar o exercício de nossa profissão. Na atualidade temos vários ex-alunos atuando nas diversas atividades profissionais, não só em Campo Formoso, mas em todos os lugares desse mundo.
Conhecemos colegas professores da atualidade que ganharam premio nacional em Educação. Sim caríssimas colegas da extinta Escola Ativa, hoje Escola da Terra. Usamos esse exemplo em tantas formações pelo estado da Bahia à fora, elevando o nome de Campo Formoso tão amada.
Tínhamos orgulho de recebermos os melhores salários do interior do Estado e os incentivos não eram poucos, pois a educação nas imagens reais era colorida, viva... E olha que não tínhamos IDEB, nem metas a cumprir para que nos garantíssemos os recursos necessários ao funcionamento das escolas...
É fato que havia uma precariedade, mas conseguíamos formar muito mais estudantes conscientes e críticos que os dias atuais. Então o que aconteceu?
Aconteceu que interesses politiqueiros tomaram conta da cidade nos últimos anos, entrava um, sai. Entrava outro, saia... Ninguém teve condições de olhar para os vários setores da gestão e a educação, mola propulsora do desenvolvimento e crescimento da sociedade, ficou a deriva. Agora culpam os professores de índices negativos da educação do município.
Mas, nós professores que segundo Dermeval Saviani: somos executores do ato de produzir direta e intencionalmente, em cada indivíduo a humanidade produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens, não podemos aceitar essa culpa, pois não dependem apenas dos professores as condições materiais para essa produção.
Primeiramente precisamos de condições psíquicas que nos favoreçam trabalharmos felizes, prazerosos e fisicamente saudáveis. A infelicidade se apresenta sobre vários aspectos: baixos salários, despesas com o oficio, subordinação por superiores menos capacitados que o profissional, indisciplina escolar, constantes trabalhos extraescolar, falta de apoio familiar dos educandos, etc.
Como um profissional que tem em sua atuação a negação dos meios e condições favoráveis ao seu desempenho pode produzir a humanidade? De que maneira é possível melhorar significativamente a qualidade da educação se negam não apenas ao profissional da educação, mas negam sim aos estudantes esse direito? Quando se nega uma boa escola, um bom transporte, uma boa merenda, uma boa formação continuada, um salário digno, um dialogo democrático e um respeito ao professor, fica difícil exigir índices mais positivos.
Alguém já se questionou quando tivemos diálogos sobre o que precisamos fazer para melhorar os índices da educação? Um questionamento no plural feito pelos órgãos superiores? Ainda não vimos tal questionamento na coletividade. Ouço apenas o que cada escola deve fazer, cada professor, cada diretor escolar. Nunca o que devemos fazer? Juntos, buscando soluções. Está difícil o diálogo!
Recordamos no ano de 1999 quando estávamos ainda na implantação da municipalização do ensino onde debatíamos na Universidade os seus possíveis efeitos e algo nos incomodava por demais, o fato de que com a municipalização, a politicagem iria afetar o andamento da gestão pública. E hoje quase duas décadas depois, presenciamos isso com total veemência. A politicagem faz o gestor olhar apenas para si próprio com atos antiéticos, que visam o benefício próprio e não a sociedade, daí a prepotência, a ditadura e a intolerância se manifestam.
Acreditávamos na desburocratização da educação, porém hoje precisamos rediscutir isso e trazer o debate sobre a federalização da educação como possível alternativa, necessitamos ainda de muitos debates. É interessante refletir, trazer a gestão para o município foi aproximar do servidor a solução dos problemas, porém, trouxe também perseguições, desrespeitos e a falsa imagem de que a culpa do fracasso da educação é do professor, não do governo.
Na atualidade há apenas uma difamação do profissional que durante décadas vêm atuando e tentando segurar a situação sozinho. Falam que ganhamos bem, que não precisamos melhorar salários, que trabalhamos pouco. Ok, então façamos as contas, amamos matemática!
a)Quanto custa uma graduação universitária, mesmo as públicas? No mínimo quatro anos de livros, apostilas, transportes, lanches, trabalhos, cursos, etc.
b) Quanto custa uma especialização, mesmo as públicas?
c) Quanto custa um mestrado ou doutorado mesmo dentro do Brasil? Porque fora você ainda iria incluir no mínimo três viagens internacionais, com despesas de passagens, hospedagens e alimentação.
d) Quanto custa você comprar recursos multimídias por ano para melhoria de suas aulas? Nossos notbooks todos os anos precisam ser substituídos. O constante manuseio faz com que eles não tenham muita vida útil.
e) Quanto custa ao ano a gasolina, peças, manutenção, IPVA, seguro de seu veículo para conduzi-lo ao trabalho?
f) Quanto custa ao ano às várias vezes que colaborou nas despesas de culminâncias de projetos da escola que lhes cobram de seus salários?
g) Quanto lhe custa às consultas médicas e exames provenientes do desgaste psíquico e físico oriundos da profissão?
h) Quanto lhe custa suas vestimentas para estar apresentável em sala de aula e assim se postar diante seu ofício?
Ufa!! Achou muito? Ainda não estão incluídas as despesas fixas pessoais que estão fora do trabalho educativo ( aluguel, plano de saúde, cartão de crédito, IRPF, água, luz, internet, telefone, etc).
Quanto aos que afirmam que professor trabalha pouco, desafio a qualquer um visitar a casa de um professor (aqui reafirmo professor) pra ver se não irão encontrar um amontoado de avaliações a corrigir e materiais pesquisados para suas aulas. Quantos não dormem menos de 8 horas para assim garantirem boas aulas a seus alunos? 
Também é preciso falar no valor sentimental, ético, moral e político que o professor transmite aos seus alunos, esses não tem preço a pagar.
É claro que temos alguns profissionais ainda descompromissados, isto é óbvio, porém, não podemos generalizar a classe em detrimento de alguns que apenas são meros reprodutores de aulas e métodos arcaicos que foram aplicados desde que iniciou sua trajetória na educação ou que não se comportam como mestres do saber. Não são muitos, acreditamos! 
Especificando também outros profissionais sem o necessário compromisso, o que dizer dos que ontem eram colegas e hoje ao estarem ocupando cargos de chefia não estão comungando da ideia de união da classe? Ficamos a nos perguntar se vocês colegas, dormem tranquilos, quando se vendem por míseras comissões para não nos apoiarem? Não conseguem enxergar que são também professores? Que não ficarão em seus cargos por toda a vida? Que num futuro próximo é possível estarmos na mesma sala de professores e sentarmos na mesma mesa? Vocês terão coragem de nos olhar frente a frente?
Será mesmo que levarão as folhas para serem descontados os salários de seus colegas que estão em greve, que estão lutando por direitos que são de todos, inclusive os de Vossas Senhorias que estão com cargos?
Fico a imaginar... Não gostaríamos de estar em vossas peles... Más, acreditamos, ainda que existam profissionais que amam suas profissões e não farão isso com seus semelhantes. Gostaríamos de vermos exemplos de profissionais que se libertaram dessas amarras e se aboliram em prol de nossa causa. Estes sim, teriam nossa admiração e respeito! E consequentemente teriam a certeza de dormir o sono do justo, deitar sobre seus travesseiros e ter vossas consciências tranquilas.
Somos também sabedores de alguns profissionais que não estão apoiando tais mazelas, que se encontram de mãos atadas para não serem prejudicados e que se arrependem de terem deixado suas salas de aula e estarem na situação que estão.
Quanto à melhoria, não sabemos quando ocorrerá, apenas lutamos e nos manifestamos contra tudo que ocorre. Ficamos a indagar sobre a raiva que se solidificou aos professores de Campo Formoso, o ódio que se firma a cada ato e isso faz-nos buscar as respostas de Jalal ad-Din Muhammad Rumi, mestre espiritual persa do século XIII, quando lhe foi perguntado, Mestre o que é raiva? E este respondeu: É a não aceitação do que está além do nosso controle. Se aceitamos, se torna tolerância; Mestre o que é ódio? É a não aceitação das pessoas como elas são. Se aceitamos incondicionalmente, então se torna amor.
Sim precisamos ser aceitos, ouvidos e respeitados, assim, com amor, possamos construir melhor a educação, a escola, o aluno e a comunidade.
Caríssimos colegas professores que não aderiram a greve, respeitamos vossas escolhas, mesmo não concordando, cada um tem seus motivos, más não esqueçam seus colegas estão se sacrificando por vocês!
                                                                                   
Caríssimos alunos e pais, não vamos esmorecer, vamos lutar, vamos com dignidade lutar por nossos direitos, afinal não podemos permitir regredir, voltarmos a ser meramente uma foto em preto e branco sem cor, sem vida e com uma caracterização de atraso, de algo que a traça destruiu, que o tempo congelou. Vamos sim buscar nas imagens memoráveis dos velhos álbuns fotográficos, as lutas, as batalhas, os exemplos de vitórias que marcaram as conquistas de nosso plano de cargos e salários, piso, férias, direito a escolas públicas de qualidade, aumento de matrículas, livros didáticos, merenda de qualidade, transporte escolar, educação do campo, quilombola, indígena, especial, etc.
Para finalizarmos, rogamos ao Pai por melhores dias e invocamos a Santíssima Trindade: Pai, filho e Espírito Santo, onde nesta nossa luta de educadores o Pai traduz-se em força, o Filho em esperança e o Espírito Santo em Luz.  Assim sairemos da escuridão, das trevas, do preto e branco e chegaremos a luz!













segunda-feira, 27 de março de 2017

NOTA PÚBLICA DO MST SOBRE A OPERAÇÃO CARNE FRACA E A CORRUPÇÃO NO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

1. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra manifesta ao povo brasileiro o seu posicionamento diante das denúncias envolvendo o Agronegócio e o modelo de produção agropecuário movidos apenas pela lógica do lucro máximo e imediato.
A irracional e crescente degradação ambiental, a exploração intensiva de força de trabalho assalariada, a monopolização do território e despovoamento do interior do país, além dos crimes contra os povos indígenas, quilombolas, pescadores e camponeses, caracteriza o modelo de agronegócio, cujo mercado capitalista impulsiona ou desacelera a produção em face da demanda global.
2. A produção agropecuária baseada na monocultura extensiva e no uso intensivo de agrotóxicos, destrói a biodiversidade, contamina os solos e as águas, alteram as condições climáticas e envenenam os alimentos da população brasileira.
Para garantir e ampliar seus privilégios o agronegócio financia as eleições da bancada dos parlamentares mais reacionários, a “ bancada do boi”, responsável pelo retrocesso na legislação dos direitos sociais, trabalhistas e de preservação ambiental.
3. O golpe em curso no país, resultante de um conluio entre a Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário e meios de comunicação de massa, liderados pela Globo, atenta brutalmente contra os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, e dos bens naturais, entregando essa riqueza para o mercado e as empresas transnacionais, num forte ataque à soberania popular.
4. As denúncias da operação da Polícia Federal denominada Carne Fraca servem como argumento para reafirmar as contradições do Modelo do Agronegócio, principalmente em relação à saúde humana e à destruição ambiental. Defendemos que as empresas envolvidas sejam punidas e responsabilizadas.
5. Denunciamos que mais uma vez a conta está sendo paga pelas trabalhadoras e trabalhadores da agroindústria da carne, expostos à precarização imposta pelas empresas, e que agora com as denúncias sofrem com as demissões em massa.
6. Denunciamos o conluio entre a mídia e o governo golpista para escamotear o processo de corrupção entre as empresas do agronegócio e os fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA). Exigimos que que seja investigada a apropriação privada desse Ministério pelo Agronegócio!
7. Reafirmamos nosso projeto de Reforma Agrária Popular, a produção de alimentos saudáveis, o respeito à diversidade dos povos e a defesa dos bens naturais. Combateremos sem tréguas o modelo de produção do agronegócio e seguimos na defesa de um modelo de desenvolvimento para o campo, baseado na cooperação agrícola, agroecologia e na soberania popular.
8. Com a força crescente do apoio popular, seguimos denunciando que o Agronegócio mata, envenena e sequestra o Estado Brasileiro! Nenhum Direito à Menos! Fora Temer! Diretas Já!
Direção Nacional do MST 25/03/2017

domingo, 26 de março de 2017

Não solte seu monstro! Uma análise dos suicídios em Campo Formoso e Senhor do Bonfim

                                           Por: José Carlos Reis Feitosa- M.e em Educação
          Quando se é criança, imaginamos que existem bruxas, dragões, fantasmas e que somos apenas crianças que devemos ser protegidos de todos esses monstros. Ao crescermos percebemos que muitos destes monstros só existem em nossa imaginação e que com o tempo concluímos que também existem monstros vivos por todas as partes e às vezes os identificamos como sendo os próprios homens. O pior deles em alguns casos somos nós mesmos.
        Muitos passam sua vida toda e nunca chegam a essa conclusão.
          Sim, existe um bicho adormecido dentro de cada um de nós. E o melhor a fazer é exercitar um controle sobre ele. A questão é que cada dia fica mais difícil dominar esse monstro, pois tudo que se faz de moderno corrabora na sua liberdade. Tão bom quando outrora sem tantas mídias tecnológicas e sem tantas redes sociais tínhamos mentes muito mais sadias que as de hoje.
          Fomos evoluindo e ficando cada dia mais dependente de máquinas e independentes dos demais seres humanos, nos tornamos artificiais e essa foi a brecha para esses monstros existentes dentro de cada um encontrar portas abertas para se apresentarem com mais força na modernidade.
          O monstro mais temido por todos, podemos chamá-lo de monstro do suicídio. Sim, pois esse é o único que tem o poder e as armas para destruir sua própria prisão que é o corpo de cada um de nós aqui apresentada como nossa consciência, nossa razão.
          A partir do momento que nos desvencilhamos da razão, de nossa consciência, perdemos a verdadeira caracterização que nos faz humanos.
          Sublinhando uma realidade mais próxima de libertação desse monstro. Observamos enquanto educador de jovens uma prática bastante acentuada nos últimos anos nas regiões de Senhor do Bonfim e Campo Formoso.  Isso nos preocupou  bastante.
          Ficamos a questionar o porquê de tantas pessoas darem liberdade a esse monstro, sobremaneira os jovens.
          Um tema bastante difícil de abordar é o suicídio. É tão complicado que segundo alguns especialistas na questão, até falar com os jovens sobre, já pode instiga-los a cometer. Por conta disso, este texto esta mais direcionado aos colegas professores e aos pais de alunos da nossa região.
          Enquanto educador, especializado em uma pedagogia Histórico-crítica da Educação, nos propusemos a refletir de que forma poderíamos tratar do assunto em que a prática social dos conteúdos pudessem chegar aos educandos, sem causar uma incitação á conduta e assim contribuir com a reflexão e a minimização dos dados estatísticos, principalmente em Campo Formoso e Senhor do Bonfim.
          Partindo dessas afirmativas, nos deparamos com alguns questionamentos:
1º) Porque tem aumentado tanto o número de suicídios em Campo Formoso e em Senhor do Bonfim?
2º) Porque dos casos ocorrido de suicídios e um numero maior é de jovens?
3º) O que as Instituições Escolares vêm fazendo para ajudar os jovens de nossa região nessa problemática?
4º) O que a sociedade civil e o poder público estão fazendo?
          Advertimos que não temos respostas prontas e cientificamente comprobatórias, são apenas pontos de vista desse humilde professor pesquisador que se respalda em falácias de alguns psicólogos e nas pesquisas documentadas em sites de busca.
Em primeiro analisaremos a questão do desejo de querer acabar com sua própria vida a partir de várias causas. Citamos algumas:
·         Depressão 
      (Doença psíquica considerada o mal do século que te faz querer fugir do convívio humano).
          A tristeza toma conta do ser, o isolamento e a fraqueza do corpo se acentuam tornando o indivíduo inicialmente escravo desse monstro para em seguida o libertar, Menezes (2015) afirma:
É uma doença cruel, dolorosa e insidiosa, que leva o hospedeiro a ter vontade de pedir ajuda para tomar banho, pentear cabelos e escovar os dentes: ela leva embora a energia vital presente em cada um de nós, transformando tarefas simples como se alimentar em tarefas complicadas como erguer um monumento. É uma máxima: não há beleza na depressão.
Muitas vezes os incentivos não geram resultados, todo e qualquer esforço falha ou parece falhar, e a desistência se apresenta como a única saída viável. Após a idéia da desistência, criar raízes firmes, a idealização do grand finale, o suicídio, parece se formar na mente do doente, límpida e nítida como uma pintura ou até mesmo como um filme.
          Assim também é importante descobrir as causas dessa doença como o desemprego, a perda de um ente querido, uma decepção amorosa, etc., pois também pode desencadear logo à prática do suicídio, quando não conduz à depressão que conseqüentemente acordará o monstro do suicídio.
·         Preconceito 
   (Decepção por não ser igual aos outros - Há uma campanha pelas mídias de que você nunca será perfeito diante dos outros).
          Neste mundo da era tecnológica, há uma criação de vários padrões de beleza e de perfeição instituído por aqueles que se acham melhores que os demais, e se expor torna-se cada dia mais necessário para uma manutenção do ser melhor que o outro, estamos cada dia mais num mundo de aparência do que de realidade. Segundo Meleiro(2016):
Jovens imersos em redes sociais como Facebook ou Instagram assistem a retratos de vidas fantásticas. Internautas tendem a selecionar posts que exibam suas melhores conquistas e construir cuidadosamente imagens coloridas de suas vidas. Por comparação a vida de quem assiste a esse espetáculo parece pior, principalmente quando surgem problemas.
·         Uso de Drogas
          Usar drogas nos dias atuais parece ser cada dia mais comum, desde o uso de álcool em festas até o uso de alucinógenos, anfetaminas, etc. Há campanhas para a liberação da maconha, o acesso a outros tipos esta cada dia mais fácil, a impunidade impera nos que trafica, gerando uma onda de violência e insegurança e toda a população. Por conta disso, o número de usuários aumenta a cada dia.
          De acordo com a professora Botega (2016):
“pessoas suicidas tendem a se envolver em comportamentos autodestrutivos, como o uso de drogas sem moderação. ‘Assim como o álcool contribui para a violência contra o próximo, ele pode desencadear violência contra si mesmo”.
          Imaginemos as drogas mais fortes e suas potencialidades na prática dessa violência.
·         Falta de uma prática de fé (espiritualidade)
          Hoje nos deparamos com apenas o excesso de materialismo, a falta de clareza sobre o certo e errado, a sensação de vazio, de falta de prazer e sentido pra vida.
          Observamos que as famílias numa maioria não mais se preocupam com o ensino religioso nas catequeses, as instituições educativas foram proibidas de apresentarem filosofias religiosas e ser religioso hoje passou a ser motivo de vergonha para muitos.
          A falta de espiritualidade é a ausência de ligação, indiferença e o fato de nem ao menos nos importarmos com isso. Daí o pensamento de acharmos que a vida não tem sentido não tem valor se efetiva, conduzindo o ser a libertar o monstro do suicídio que esta dentro de cada um.
          Então o que justificaria o crescente aumentado do número de suicídios em Campo Formoso e em Senhor do Bonfim?
          Realizamos um levantamento através de sites sobre o tema e constatamos que nos últimos 20 anos, nos dois municípios, tiveram o quantitativo de 54 suicídios conforme demonstramos no gráfico abaixo:
Fonte: sites pesquisados pelo autor
          Senhor do Bonfim se aproxima dos 60 % dos casos, durante esses últimos 20 anos, entretanto temos que considerar que a população de Campo Formoso é menor, então é possível que esses dados se aproximem um pouco nos dois municípios analisados.
          Senhor do Bonfim traz um histórico bastante triste nesta temática, até um prefeito já cometeu suicídio o Sr. Jonas Alves Costa no ano de 1996.
         Vamos analisar os últimos cinco anos:
Fonte: sites pesquisados pelo autor
          Deparamo-nos aqui, com uma realidade bem mais próxima nos dois municípios, levando novamente em consideração a diferença populacional de ambos, ou seja, Campo Formoso avançou em número de casos.
          Também queremos destacar aqui, algo que nos chama atenção, enquanto educadores. O crescente número de jovens que buscam dar fim as suas vidas nestes dois municípios.
          Os dados apresentados acima citados, dizem respeito ao público geral, mas afunilando para uma nova análise o que está ocorrendo com nossos jovens?
  
Fonte: sites pesquisados pelo autor
          De todos os casos de suicídios de 2002 a 2017, constatamos que Campo Formoso teve o dobro de casos de jovens, comparando a Senhor do Bonfim, isso é preciso analisar com mais afinco pelos órgãos públicos que governam essa cidade para assim intervir na realidade.
          Estes municípios por estarem localizados predominantemente em áreas rurais são considerados municípios rurais e no geral acabam sendo desprovidos de iniciativas de desenvolvimento por não serem tão vistos diante dos holofotes midiáticos.
         Aqui acrescento que, em ambas as cidades, não conhecemos aplicações de políticas públicas voltadas aos jovens como deveriam. Precisamos que as escolas destes municípios, além do conhecimento formal, gerem capacitação e profissionalização aos professores e estudantes com a concepção de uma educação do campo, no e para o campo e não urbanocêntrica. Que os poderes públicos desenvolvam incentivos aos esportes por meio do apoio aos atletas, construção de centros esportivos e parques e tamm a inclusão digital para tirar nossos jovens da ociosidade.
          Acabam que sem terem o que fazer, devido aos poucos atrativos, nossos jovens se limitam a frequentarem apenas festas que em sua maioria, movidas ao uso do álcool e das sicas que endeusam esses monstros que existem dentro de cada um, tipo “metralhadora”, “A santinha perdeu o juízo”, “me libera nega”, com nomes de bandas não muito convencionais a exemplo “La Fúria” ou “Vingadora”, ou seja, tudo fazendo apologia à violência, corroborando a degradação do que a cultura foi um dia. E nossos jovens, vítimas desse horror, não tem outras opções a não ser ingerir essas porcarias da atualidade e quem mais agradece é o monstro do suicídio.
         Esses posicionamentos também nos leva a pensar sobre o porquê de o número de jovens que cometem suicídio hoje, ter aumentado mais que os adultos. Afirma Fabio (2016):
“O suicídio tem crescido entre as causas de mortes de jovens até 19 anos no Brasil. Em 2013, 1% de todas as mortes de crianças e adolescentes do país foram por suicídio, ou 788 casos no total. O número pode parecer baixo, mas representa um aumento expressivo frente ao índice de 0,2% de 1980”.
         Enquanto que, adultos, pais de família e trabalhadores já possuem experiências de vida, os jovens precisam de uma atenção maior, pois se encontram ainda em processos de formação, por esse fato tornam-se mais vulneráveis a soltarem o monstro de cada um.
          Sobre a postura dos sistemas educacionais, acreditamos que ainda não se faz presente ações pedagógicas que venha de encontra a essa necessidade e também nas Unidades Escolares e seus Projetos Políticos Pedagógicos ainda não contemplam ações que possam ajudar os jovens estudantes de nossa região nessa problemática, bem como a sociedade civil, igualmente ainda não despertou para essa realidade.
          A psicóloga Doutora em educação, que defendeu a tese: A Escola Como Espaço de Prevenção ao Suicídio de Adolescentes, Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira, afirma que a atitude dos colégios, tem de mudar. Segundo ela:
Mais do que o tema morte, o suicídio é um tabu para todos os setores da sociedade, inclusive nas escolas, que deveriam ser parceiras nesse combate. "Pelo contrário, as escolas ignoram", diz.
Diante desses esclarecimentos cabe a nós educadores trazer esse tema em pauta.
          Se desejarmos uma sociedade com menos monstros do suicídio soltos, precisamos incorporar em nossas práticas cotidianas, no fazer pedagógico, não somente um olhar para nossos jovens, mas atitudes práticas.
          Precisamos estudar, conhecer mais nossos alunos, nossa comunidade, e de posse desses conhecimentos permitir a socialização e a efetivação do trabalho educativo que nada mais é que de acordo com Saviani (2003, p. 13), é o “ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens”.
          Percebemos então que devemos considerar as temáticas que interage em nossos meios como conteúdos necessários à formação e ao desenvolvimento do educando no contexto da prática social, só assim contribuiremos para o desenvolvimento e a transformação das funções elementares de nossos alunos em funções superiores dando-lhes condições de destruírem esse citado monstro do suicídio ou pelo menos nunca acordá-lo.
          Chega de justificar que não sabemos lhe dar com o assunto por medo ou tabu, vamos estudar a temática e nos preparar melhor para esse grande desafio que é a eliminação desses monstros em nossas cidades. Fica a dica.
          O suicídio é a terceira causa que mais mata jovens no Brasil, perdendo somente para drogas e acidente de trânsito.
Sites pesquisados: